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Pesquisadores de SC avaliam tratamento não-medicamentoso para idosos com demência em estágio inicial

O trabalho desenvolvido com os idosos catarinenses tem como objetivo avaliar a adoção de uma intervenção psicossocial para promover a autonomia do indivíduo por meio da estimulação e reabilitação das funções cognitivas

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Divulgação

Em parceria com a Universidade de Nottingham, da Inglaterra, e a Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) começou a desenvolver em agosto de 2018 um projeto de tratamento não medicamentoso para reinserção social de idosos com diagnóstico de demência inicial. Realizado no Ambulatório da Memória do internato do curso de Medicina do campus Pedra Branca da Unisul, em Palhoça, o projeto beneficia cerca de 80 pacientes.

O trabalho integra um projeto de pesquisa de dissertação do Programa de Pós-Graduação de Saúde Coletiva (PPGSC) da UFSC, e conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu). “A Fapeu foi responsável por promover e apoiar a execução do projeto, através do gerenciamento financeiro do projeto com financiamento do Economic & Social Research Council (órgão público não-departamental financiado pelo governo do Reino Unido). Além disso, a Fapeu possui papel importante na difusão de conhecimento científico e tecnológico”, destaca Eleonora d’Orsi, coordenadora do projeto e professora do Departamento de Saúde Pública da UFSC.

Intitulado “Promovendo a Independência na Demência (Pride)”, o projeto visa a identificar como as mudanças sociais e no estilo de vida podem ajudar a reduzir o desenvolvimento da demência e da incapacidade. Pela proposta, os pesquisadores desenvolvem e avaliam uma intervenção social eficaz (por exemplo, com atividade física) para apoiar a independência e a qualidade de vida de pessoas com demência inicial e de seus cuidadores. Além de Eleonora, também integram o grupo de trabalho o médico geriatra e professor da Unisul, André Junqueira Xavier; a fisioterapeuta e docente na Universidade do Minho, em Portugal, Anna Quialheiro da Silva; e a mestranda do PPGSC da UFSC, Suzane Garcia de Stefani. O Ambulatório da Memória, onde o programa é desenvolvido, funciona na policlínica do Centro de Palhoça, em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS).

Nottingham

O projeto integra um estudo coordenado pelo professor Martin Orrel, chefe da Divisão de Psiquiatria e Psicologia Aplicada da Faculdade de Medicina e Ciências da Saúde da Universidade de Nottingham. Em 2019, a instituição publicou um estudo na revista JAMA Internal Medicine que apontou que medicações da classe anticolinérgica, comumente prescritas para tratar problemas como depressão, Parkinson, epilepsia e psicose, podem aumentar o risco de demência em 49%.

O trabalho desenvolvido com os idosos catarinenses tem como objetivo avaliar a adoção de uma intervenção psicossocial para promover a autonomia do indivíduo por meio da estimulação e reabilitação das funções cognitivas. Isso ocorreria com uso de técnicas comportamentais, treinos de memória, orientação de realidade, exercícios diários de leitura, estímulos repetitivos, jogos de raciocínio e lógica e exercício físico – ou seja, sem medicamentos. “A partir deste projeto será possível fornecer subsídios para o desenvolvimento de intervenções de saúde de caráter não-medicamentoso, com pacientes com demência e seus familiares cuidadores”, explica a professor Eleonora.

Sinais

A demência é uma doença que provoca a deterioração da função cognitiva do indivíduo. Acomete pessoas acima de 60 anos, sendo mais predominante naquelas acima dos 80. Os sinais e sintomas são prejuízo da memória, do pensamento, da orientação, da compreensão, do cálculo, da capacidade de linguagem, da aprendizagem e do julgamento, precedidos por perda do controle emocional e comportamental social. “Este projeto beneficiará a população que mais cresce no país, proporcionando melhora na qualidade de vida, na autonomia da realização de atividades básicas e consequentemente melhorando o autocuidado e reduzindo a procura por assistência médica e por medicalização, além de incentivar a reinserção da vida em comunidade e assim diminuir fatores causadores de problemas relacionados à saúde mental, uma vez que teremos idosos mais ativos e ambiciosamente mais felizes”, observa a professora.

A demência ocorre independentemente da existência de antecedentes familiares, porém o fator genético é considerado um importante marcador. Mas a doença pode ser prevenida e, principalmente para quem tem casos na família, o combate deve começar ainda na juventude com a adoção de hábitos saudáveis de vida. E a receita é simples e básica: alimentação saudável, atividade física, sono reparador, não fumar, não beber em excesso, tomar sol para manter os níveis de vitamina D, exercitar a mente e manter o convívio social.

Fonte: Visor Notícias

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