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Desde 2019, com base na média histórica, deixou de chover mais de 600 milímetros em Santa Catarina

Esta semana já estava prevista a passagem de uma frente fria pelo estado, trazendo chuva mal distribuída

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Foto: Secom/Divulgação

As chuvas desta semana amenizam, mas não resolvem o problema da estiagem que afeta Santa Catarina desde 2019. Na Serra Catarinense, não há registro de falta de água nas cidades, mas as safras de grãos cultivadas mais no tarde tiveram a produtividade reduzida em função da falta de água. A expectativa da Epagri não é nada animadora para as pastagens de inverno, o que deve afetar a produção de carne e de leite em toda a região.

Esta semana já estava prevista a passagem de uma frente fria pelo estado, trazendo chuva mal distribuída. Seus efeitos devem ser sentidos até domingo e depois volta a predominar o clima seco e frio.

Para José Márcio Lehmann, gerente da Epagri em Lages, atualmente o problema maior está nas regiões Meio Oeste e Oeste, mas os efeitos da falta de água são sentidos em todo o estado, principalmente na produção agrícola. Na Serra, ele aponta que Correia Pinto está solicitando laudos para ver se decreta situação de emergência.

Os agricultores que cultivaram mais cedo as culturas de verão praticamente não foram afetados. Não se pode dizer o mesmo para quem retardou o cultivo da soja, milho e feijão. A quantidade de sacas por hectare foi menor. Em alguns lugares a quebra foi de 20%.

“Nossa preocupação é com as pastagens de inverno. Com pouca água não deve se desenvolver,” prevê Lehmann. Desta forma, para complementar a alimentação dos animais, os produtores devem abrir os silos mais cedo e, como consequência, faltará alimento nos últimos meses do inverno. Normalmente, os silos são abertos justamente quando as pastagens já foram utilizadas.

Para manter o processo de engorde e ou a produção de leite, os pecuaristas terão que comprar principalmente milho, encarecendo o custo de produção. Apesar da expansão das lavouras, Santa Catarina importa milho para abastecer a água indústria e o grão está muito valorizado no mercado. Na quarta-feira, a cotação da saca de 60 quilos estava a R$ 100,00. No mesmo período de 2019 o preço médio era de R$ 52,00. A produção foi menor porque as lavouras foram afetadas pela cigarrinha do milho. Alguns produtores perderam 100%, mas a média ficou em 30% de quebra.

Segundo o gerente da Epagri, mesmo as terras que não forem utilizadas para a produção de pastagens terão problemas. A chuva favorece a brotação e a cobertura do solo, importante para reduzir os efeitos do sol e evitar a erosão e o empobrecimento da terra. “Estamos acompanhando essa situação com muita preocupação. Solicitamos um levantamento completo em toda a região, mas é fato que teremos prejuízos. Desde 2019 deixou de chover 600 milímetros em Santa Catarina. É água que estaria nas reservas do subsolo para abastecer as plantas.”

O que pode ser feito

A Epagri orienta que os produtores rurais façam um bom preparo do solo e utilizem a técnica do plantio direto, mantendo a palha do que foi colhido como proteção do solo. Existem também linhas de crédito do Governo do Estado para a implantação de cisternas que armazenam água da chuva e também para a proteção de nascentes.

Em março, a Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, iniciou o repasse de R$ 5 milhões para mais de 90 cidades com declaração de emergência ou calamidade que tenha sido homologada pelo Executivo estadual. A ação está prevista na Medida Provisória Nº 232/2020, publicada em dezembro de 2020, e conta com recursos da Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

Cada município deveria receber R$ 50 mil e o valor deve ser utilizado em ações para prevenção de estiagem ou para minimizar os prejuízos deixados pela falta de chuva em 2020.

É vedada a utilização de recursos para pagamentos de despesas com pessoal, encargos sociais e referentes ao serviço da dívida. Depois de recebida a transferência, cada cidade terá até 90 dias para prestar contas à Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural. Não haverá necessidade de celebração de convênio.

Boletim aponta agravamento da situação

O Boletim Hidrometeorológico, divulgado em abril, mostra o agravamento da seca em quase todas as regiões de Santa Catarina, devido aos baixos volumes de precipitação nos últimos dois meses (fevereiro e março). A publicação foi coordenada pela Secretaria Executiva do Meio Ambiente (Sema), integrada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDE), e pela Defesa Civil do Estado de Santa Catarina.

“Quando se trata do interior de Santa Catarina, a situação hidrológica é mais grave que no resto do Estado. O litoral, por exemplo, teve chuvas próximas ou acima da média. Portanto, o comprometimento do abastecimento urbano em diversos municípios e a intensidade da estiagem permanecem e exigem o monitoramento contínuo”, destaca o secretário da Sema, Leonardo Ferreira.

Ele acrescenta que o Governo do Estado retorna com a emissão de boletins quinzenais e na atuação conjunta com a Defesa Civil para acompanhar mais de perto a situação do agravamento da seca.

Dentre os 295 municípios de Santa Catarina, 181 estavam em estado de normalidade; 76 de atenção; oito de alerta, e sete em situação crítica frente à estiagem. Além disso, 23 cidades não encaminharam informações da situação.

“O estado mais crítico é encontrado na região Oeste do Estado. Por isso, o monitoramento da situação do abastecimento público pelas agências de regulação volta a ser concentrado nas ações de mitigação dos prestadores e municípios, visando a continuidade deste serviço público que é primordial para saúde da população catarinense”, acrescenta a gerente de Fiscalização da Agência Reguladora de Serviços Públicos de Santa Catarina (Aresc), Luiza Burgardt.

Em 2020, Santa Catarina enfrentou a maior estiagem dos últimos 15 anos e a falta de chuvas causou grandes prejuízos para os produtores rurais. Todos esses impactos foram amenizados por meio de recursos disponibilizados pelo Governo de Santa Catarina. A Secretaria da Agricultura criou linhas de crédito e, com apoio da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc), assegurou R$ 43,5 milhões para diminuir os prejuízos.

Sem chuva

Ao longo do mês de março, nas regiões litorâneas e proximidades, a chuva foi um pouco melhor distribuída em relação aos demais locais. Isso se explica principalmente pela maior quantidade de umidade vindo do oceano para estas áreas.

Nos Planaltos e no Oeste, foram registrados de 17 a 21 dias sem chuvas. A precipitação mais irregular foi observada no Extremo Oeste e em proximidades ao Rio Grande do Sul, com 21 a 25 dias sem precipitação.

Previsão é abaixo da média

A previsão para os meses de abril, maio e junho é de precipitação abaixo da média para Santa Catarina, principalmente entre o Meio e Extremo Oeste catarinense. Ou seja, indica um período ainda mais seco neste período. Com este resultado, é importante praticar o consumo consciente e racional de água.

Segundo a Epagri, entre os dias 06 e 08, uma frente fria traria chuva para o estado, o que de fato se confirmou, mas a previsão é de chuva mal distribuída. Após a passagem dessa última frente fria, a temperatura declina acentuadamente com a chegada de outra massa de ar frio de origem polar. No período de 10 a 15 não há indicativo de chuva significativa para SC.

Fonte: Mauro Maciel/Folha da Serra/Rede Catarinense de Notícias/RCN

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