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Mercado de nanopartículas de prata deve movimentar US$ 6,6 bilhões até 2030

As nanopartículas de prata possuem aplicação em diversos segmentos da indústria devido à sua alta condutividade elétrica, além das características ópticas e térmicas. Mas são as suas propriedades biológicas que devem gerar um aumento significativo […]

As nanopartículas de prata possuem aplicação em diversos segmentos da indústria devido à sua alta condutividade elétrica, além das características ópticas e térmicas. Mas são as suas propriedades biológicas que devem gerar um aumento significativo na demanda pelo produto ao longo dos próximos anos. De acordo com o relatório recentemente publicado pela Allied Market Research, o mercado global de nanopartículas de prata, que gerou US$ 1,5 bilhão em negócios em 2020, deverá movimentar US$ 6,6 bilhões até 2030, com uma taxa de crescimento anual de 15,6%.

Embora o cenário pandêmico tenha trazido efeitos negativos para o crescimento do mercado por conta das medidas restritivas aplicadas por diversos países, o estudo aponta que as propriedades antimicrobianas e antivirais das nanopartículas de prata devem atrair a atenção de empresas de diversos segmentos preocupadas com o elevado número de microrganismos potencialmente nocivos em seus produtos.

No ano passado, a Amerisleep conduziu uma pesquisa nos Estados Unidos que comparou o número de bactérias encontradas na roupa de cama de um grupo de voluntários com outros objetos domésticos. Os testes mostraram que, depois de apenas uma semana de uso contínuo, os lençóis e fronhas acumularam 17 mil vezes o número de bactérias que estavam presentes no assento do banheiro. Outro item que faz parte do dia a dia e possui alto índice de contaminação são os aparelhos celulares — um estudo do Centro Universitário Devry Metrocamp já mostrou que os smartphones podem abrigar mais de 23 mil microrganismos, como fungos e bactérias.

De olho nesses números, empresas estão investindo no uso de nanopartículas de prata para desenvolver produtos resistentes à contaminação por parte de microrganismos como vírus e bactérias. Isso é possível por conta da característica dos íons de prata, que possuem uma carga positiva e atuam como um imã para promover a ruptura da membrana celular desses microrganismos. Com base nos resultados da pesquisa, a tecnologia tem sido utilizada no processo de fabricação de itens que vão desde edredons até as lentes oftalmológicas, com as nanopartículas de prata formando uma espécie de escudo natural de defesa.

“A cooperação com instituições acadêmicas é um passo fundamental para o desenvolvimento de novos tratamentos que ajudem a manter a saúde dos olhos”, afirma Marcelo Frias, Diretor de Marketing da ZEISS na América Latina, empresa alemã especializada na fabricação de lentes para óculos. O executivo explica que as nanopartículas de prata são inseridas no interior da lente para combater e inibir o crescimento de 99,9% dos vírus e bactérias na superfície do produto, reduzindo assim a chance de contaminação por parte do usuário. “A preocupação com a higiene das lentes é uma constante entre os usuários de óculos e isso se tornou ainda mais latente nos últimos anos”, completa Frias.

Aplicação no Brasil

No Brasil, as pesquisas envolvendo o uso de nanoprata estão focadas no desenvolvimento de roupas hospitalares capazes de eliminar o novo coronavírus de sua superfície. Recentemente, cientistas da USP e da UFSCar criaram um tecido feito à base de poliéster, algodão e micropartículas de prata capaz de inativar fungos, bactérias e vírus.

No estudo feito em parceria com a Universitat Jaume I, da Espanha, e com a empresa paulista Nanox, amostras do coronavírus foram coletadas no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Os vírus foram cultivados e colocados em contato com o tecido contendo as micropartículas de prata. E em apenas dois minutos, 99,9% dos vírus SARS-Cov-2 foram eliminados.

“A quantidade de vírus que colocamos em contato com o tecido é muito superior à que uma máscara de proteção é exposta e, mesmo assim, o material foi capaz de eliminar o vírus com essa eficácia”, disse o professor da USP, Lúcio Holanda Júnior, em entrevista à Agência FAPESP.

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