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Julho sem plástico visa combater o impacto do lixo na vida marinha

Criado pela ONG australiana Plastic Free Foundation, o movimento Julho sem plástico vem com a proposta de anualmente, no mês que carrega o nome da ação, diminuir consideravelmente o uso de materiais plásticos presentes no […]

Criado pela ONG australiana Plastic Free Foundation, o movimento Julho sem plástico vem com a proposta de anualmente, no mês que carrega o nome da ação, diminuir consideravelmente o uso de materiais plásticos presentes no dia a dia. Segundo a organização, das 11,3 milhões de toneladas de resíduo plástico produzidas por ano, apenas 1,28% são recicladas. Esse percentual não é nada perante as mais de 400 milhões de toneladas de plástico que são produzidas por ano no mundo, piorando o estado de poluição no meio ambiente.

Durante a 46ª edição do Fórum Econômico Mundial de Davos, foi apresentado um estudo sobre o impacto do lixo à vida marinha. De acordo com o documento, até 2050 os oceanos abrigarão mais detritos plásticos do que peixes. Outra pesquisa, publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, indica também que até lá 99% das aves marinhas terão pedaços de plástico no organismo. Hoje, de acordo com os pesquisadores, 90% já são vítimas dessa poluição ao meio ambiente.

Com o apoio de diversas organizações, entre elas a Universidade de Oxford e a Fundação Ellen MacArthur, o estudo denominado “Breaking the plastic Wave” (quebrando a onda do plástico), aponta que, se continuarmos na trajetória atual, em 2040, o fluxo de plástico que chega aos oceanos irá triplicar, chegando a 29 milhões de toneladas por ano.

“Os oceanos cobrem cerca de 71% do planeta, conectam populações, mercados e representam uma parte importante da herança natural e cultural. Fornecem mais da metade do oxigênio que é respirado, exercem um papel vital no ciclo da água e no equilíbrio climático, abrigam grande biodiversidade, além de serem fonte importante de serviços ambientais para o planeta”, salienta Vininha F. Carvalho, editora da Revista Ecotour News & Negócios (www.revistaecotour.news).

O Brasil busca ampliar seu compromisso com a conservação do mar e dos recursos marinhos. Possui aproximadamente 8.500 quilômetros de extensão costeira, onde se concentra quase um quarto da população, englobando cerca de 400 municípios, distribuídos ao longo de 17 estados e perfazendo cerca de 30% de toda a riqueza do país, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O projeto “Conhecendo o oceano no rastro das tartarugas marinhas”, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável da Península de Maraú, na Bahia, integra um conjunto de ações locais para conectar o trade turístico, moradores, turistas e poder público, a fim de diminuir a pressão sobre os recursos naturais oriunda do desordenamento do turismo. Atua a partir da disseminação de cultura oceânica, por meio de circuitos turísticos educativos e o desenvolvimento de um aplicativo que conecta pessoas e negócios com a conservação do oceano e das tartarugas.

“Importante ressaltar que a poluição vai além do lixo, incluindo também a poluição sonora (atividades portuárias e costeiras), o descarte de efluentes sanitários, o derramamento de petróleo e seus subprodutos e a poluição por outros produtos da indústria petroquímica e de circulação nos portos e embarcações”, pontua Vininha F. Carvalho.

Principais poluidores dos oceanos e o tempo de decomposição de cada um deles:

– Papel: de 3 a 6 meses

– Tecido: de 6 meses a 1 ano

– Filtro de cigarro: mais de 5 anos

– Madeira pintada: mais de 13 anos

– Nylon (linha de pesca, por exemplo): mais de 20 anos

– Alumínio (lata de refrigerante, por exemplo): mais de 200 anos

– Plástico (garrafas pet, por exemplo): mais de 400 anos

– Vidro (vasilhames, por exemplo): mais de 1000 anos

– Borracha (pneus, por exemplo): tempo indeterminado

“A natureza dá sinais que não podem ser ignorados. Os recifes de coral e costões rochosos dominados por organismos imóveis e calcificantes, como corais, cracas e mexilhões, são atualmente afetados por temperaturas extremas e acidificação do oceano. É preciso desenvolver, manter e fortalecer ações e políticas públicas de conservação da biodiversidade costeira e marinha. O engajamento da sociedade, especialmente com a oportunidade trazida pela Década do Oceano (que vai de 2021 a 2030), tornou-se questão essencial para conscientizar sobre o descarte correto e mudança de hábitos a fim de reverter o cenário desenfreado e negativo para o nosso planeta”, conclui Vininha F. Carvalho.

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